Sobre pesquisa e outras infâmias

Diário de campo de dois espectadores e um pródigo bucaneiro.

sexta-feira, março 23, 2007

Linhas retas, sexo, jornalistas, RPs, e pesquisas.

É possível que historicamente existam entre homens e mulheres tantos desacordos que possamos colocar em questão o valor de muitas conquistas acadêmicas, científicas ou artísticas.
Dois exemplos: por trás de algumas polêmicas profissionais há, em verdade, acirradas lutas de gênero. É o caso da antiga querela entre jornalistas e profissionais de Relações Públicas.
Em pesquisas realizadas com os meus alunos descobrimos que tanto jornalistas quanto os profissionais de Relações Públicas quando submetidos a técnicas projetivas atribuíram à profissão de jornalismo caraterísticas como coragem, vôo intelectual, raciocínio lógico etc. caraterísticas estas consideradas na nossa cultura como masculinas.
Diferentemente, associaram à profissão de Relações Públicas atributos culturalmente considerados femininos, como; capacidade de organização, talento para cuidar dos detalhes e outros.
Desvendamos com estas respostas que os históricos desacordos entre jornalistas e RPs não somente estão relacionados à luta pela reserva de mercado e sim a uma disputa de gêneros que permeia outros âmbitos da vida social.
Algo similar acontece com as perspectivas metodológicas qualitativas e quantitativas. Já passou o tempo em que os professores se “entredevoravam” em discussões sobre a validade absoluta de alguma das perspectivas.
Hoje já é muito comum ler nos textos de metodologia e pesquisa de mercado ou marketing que ambas abordagens são complementares.
Assim as pesquisas qualitativas não são nem melhores nem piores que as quantitativas e vice-versa. Por isto ambas se completam.
Entretanto, o gênero masculino deu um “jeitinho” para continuar sua hegemonia dentro do "campo" cientifico. Assim, ficou reservada às pesquisas qualitativas a tarefa de explorar o tema, levantar assuntos, impregnar-se do problema. E ás pesquisas quantitativas ficou a missão de dar a palavra final, por isto são chamadas pesquisas conclusivas.
A humanidade gosta de gráficos, porcentagens, testes de inferência estatística, indícios de cientificidade. Ainda não confia nas amostragens teóricas, na interpretação , nas pistas, na conjectura.
É a luta da subjetividade contra a objetividade, da intuição contra a experimentação. Da verdade desvendamento contra a verdade adequação.
Muito cedo descobri que, certamente, o caminho mais curto entre dois pontos é uma linha reta, entretanto, e isto também é verdadeiro, nem sempre é o mais bonito.

Abraços do Eladio Oduber

Imagem: Aristocrata / Eladio Oduber. Março de 2007

2 Comments:

Blogger judith said...

Com certeza a linha reta não é a mais bonita.... veja só o Niemeyer... e o caminho da província...e a sua aristocrata!!!mas quando se tem dentro tanto o lado feminino quanto o masculino bem desenvolvido percebe-se que a disputa de gênero dá um toque agradável à vida social, aí incluída a profissional. eu acho que dentro dos límites éticos , os meus, naturalmente, é uma santa guerrinha. beijos , pensava em voce e na Cintia hoje de manhã.

8:39 AM  
Anonymous Liss Mary said...

Querido Eladio,

Parabens pelas curvas lindas da sua "aristocrata".
Para falar um pouco das linhas retas, escoli o "Poema Circulatorio" do mexicano Octavio Paz, que eu gosto muito que diz:
" No jardim das proibições,
o maravilhoso
canta
colhe-o
está ao alcance de tua mão
é o momento em que o homem
é cúmplice do raio
cristalização
aparição do desejo
desejo da aparição
nem aqui nem lá mas entre
aqui e lá"

11:49 AM  

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