Sobre pesquisa e outras infâmias

Diário de campo de dois espectadores e um pródigo bucaneiro.

terça-feira, setembro 27, 2005

Demolições, esperas, descobertas



"O que o homem tem de mais profundo é a pele"
Paul Valery

Querido Eladio, quando vç fala da "compaixão" com os materiais construtivos, penso no pavor que sentia de garoto frente a atrocidade de esses materiais (aço, pedra, agua) ser sometidos ao frio, o calor ou a pressao extremas.
Mais a pior aberraçao provenía do fato de ser confinadas, recluídas, pela eternidade, no interior das paredes, dos tetos, no fundo do solo escuro das cidades.
Penso na expectativa criada nas demoliçoes, na espera de que alguma coisa inesperada apareça e seja dada a luz.
Habitar -uma cidade, uma casa, uma relaçao íntima-pressupoe a necesidade desses confinamentos fundacionais previos.
E curiosa a imagem da cidade "lisa" que perceberam os personagens de Kafka, é o mesmo efeito de fascínio que produz a cultura global sob a imagem do mundo:um sitio sem obstáculos incomodos, uma superficie lisa, homogénea, esterilizada, optimizada para o fluxo libre e ultraveloz de informaçao e bens materiais
Basta experimentar NY como habitante global para sentir que a cidade e sua, en quanto o fluxo passa diante de voçé a ilusáo de apropiaçao é inmediata

Federico Percibal - Uruguay

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Querido Federico,
que coisa adorável essa sua relação ctônica com a matéria-prima... Nunca tinha pensado na terra dos vasos de plantas, só nas plantas, já restritas pelo movimento, impossibilitadas de sair do lugar e ainda mais tolhidas pelas dimensões dos vasos, batendo suas raízes nos limites. Isso sem falar da sensação insuportável do bonsai: redução extrema da beleza para que possa caber na palma da mão - humana...
Beijos

10:33 AM  
Anonymous leoh (das águas mitológicas) said...

Uma característica de nossas topias: oscilar entre a continência e a orgia! Eis Brasília que desponta no horizonte. É senhora da linguagem formal, da linguagem com obstáculos, da linguagem estática, monótona, linguagem que estanca o ritmo, que dá uma matéria uniforme às curvaturas distintas... nela só restam a seus cativos apostar suas próprias cabeças aos dados!

2:20 AM  

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