Sobre pesquisa e outras infâmias

Diário de campo de dois espectadores e um pródigo bucaneiro.

segunda-feira, setembro 19, 2005

La vida te dá sorpresas


Quando na volta de uma esquina me dou de cara com os "dados" gosto de fazer uma leitura, ao mesmo tempo, prazerosa e livre. Uma estratégia que gosto de denominar como “rapto seguido de sedução”. Contrária à técnica de Anselm Strauss que “tortura” os dados até eles delatarem os segredos. No meu caso, gosto de conviver com eles em acasalamento e “seduzi-los” até se entregarem. Cuidando de que a beleza dos dados não vire cinza e minha curiosidade por eles não vire pó. Metáfora esta, cara a um conhecido escritor que minha falta de memória não me permite homenagear.

Eladio Oduber

Imagem:
www.alvaroizurieta.com.ar

2 Comments:

Anonymous Bruno said...

Hahahahaha, ah grande amigo eládio, preciso confessar que alguns pesquisadores conseguem convencer os "dados" a falarem, seja como uma boa música ou com um bom papo. Infelizmente, nem todos os pesquisadores, têm essa capacidade de ler prazerosamente, então temos que ir no detalhe, na minúcia, na varredura, no exame global e completo, para ver o que acontece desse "suco". Eu me considero ainda um fazedor de "suco" mas querendo me transformar em um "artista" que sabe diferenciar os "traços" dos "meros rabiscos".

4:46 PM  
Anonymous leoh (ancorado, amotinado no porto de Salé) said...

Já dizia o velho marquês. sim o de Sade: a forma mais perversa de sexualidade é o puritanismo. este o grande instaurador da verdade como desvelar, levantar a saia, abrir o zíper da calça, etc. o que desejamos senhoras e senhores? a verdade? o que queremos com ela? sexo por esporte? cortar as preliminares? masturbação frente a ela? talvez a sedução seja o duplo da verdade. sua parte mais material. é da ordem do artifício. os dados falam? tudo o que amantes podem dizer um ao outro: os maiores excessos apenas com quem não desejamos estar por muito tempo. e quem vive pra sempre mesmo?

2:24 AM  

Postar um comentário

<< Home